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A Rara que está na minha casa, tem sapatos vermelhos e cabelos encaracolados, ora de dedinhos, ora de Black Power. Mutante? Não sei, só sei que trás na alma tambores e batuques que a faz dançar. Bailarina? Não sei, só sei que o seu corpo rodopia tal qual uma linda borboleta psicodélica no ar.
Que raridade encontro em seu olhar, profundo, alegre, sincero e afiado feito um fio de navalha que fere mais não mata, verdade na lata.
Rara canção, beleza ímpar, vontade múltiplas, uma hora tem o verde como companhia, outra hora o roxo é pura energia.
Menina dengosa, mulher maliciosa, cheia de malemolência que trás consigo uma Santa de roupa encarnada, na mão uma espada, chuva, raios e trovoadas. Guerreira desde sempre, aprendeu com outra raridade a lutar pelo que quer.
Raridade de preciosidade rara, com primazia de redundância, porque nada que se fale dela é pouco, nada que se venha dela é insignificante, sempre marcante e inconstante, sempre no superlativo absoluto do tudo, tudo muito, tudo máximo, tudo exatamente como sua alma, tudo do seu tamanho, gigante.
Minha rara, graça, rara tristeza, rara beleza, rara luz que irradia e queima, queima a pele e gosta, diz que o verão é seu amigo, e quem vai dizer ao contrário? Se eles juntos trazem calor, alegria, vida... Viva!
Hoje viva, amanhã viva, depois de amanhã viva também, com a raridade e plenitude de uma vida rara. Só viva, e assim, conseguirá tornar pessoas comuns em pessoas raras.
Agora também me sinto rara, obrigada!
(Adriana C. Rocha - em 06/07/2010)
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Era uma vez o Ernesto, um menino que gostava muito de (chatear) as meninas e principalmente a Salomé.
Era uma vez a Salomé, a menina que foi contar à mãe tudo o que o Ernesto lhe tinha feito. Tudo: puxado o cabelo, agarrado o capuz, arrancado os óculos, de próposito. Então a mãe disse-lhe que o Ernesto com certeza queria brincar com ela, mas que não sabia como pedir-lhe. A mãe disse-lhe ainda que talvez o Ernesto estivesse apaixonado pela Salomé...
No recreio, a Paula perguntou:
- Apaixonado pela Salomé! O que é isso? Apaixonado?
Mas a Salomé também não sabia o que era isso, a-apai-xo-na-do.
O que o Abel sabia era que se podia cair, cair de paixão por alguém.
A Salomé já tinha caído muitas vezes de bicicleta, mas de paixão, nunca!
- Os apaixonados só existem nos contos!- afirmou o Guilherme.
- Pois é!
- Com príncipes e princesas.
- Com roupas lindas?
- E com espadas?
- Com reis e rainhas?
- E dragões!
- Então os apaixonados não existem? - perguntou a Salomé.
A Justina acha que estamos apaixonados quando nos sentimos tristes ou muito tímidos e sobretudo quando coramos muito.
- Quando ficamos hipnotizados! - exclamou.
A Salomé concluiu que enlouquecemos um pouco quando estamos apaixonados!
A pequena Ana já tinha ouvido falar de paixão, uma espécie de raio que nos atinge.
- Um raio de fogo!
- E queima?
- É como um relâmpago!
- É uma trovoada!
- Mas afinal chove?
Então a Salomé pensou que era melhor ter um guarda-chuva para estar apaixonado!
Mas o Aristides disse que estar apaixonado está no coração.
- Quer dizer que sentimos uma dor no coração?
- Que dá febre?
- E que nos tira as forças?
- Ficamos doentes?
- Como é cansativo estar apaixonado! - suspirou a Salomé.'
[Rebecca Dautremer, in Apaixonados]
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O que fascina nos contos de Caio Fernando Abreu
é essa magia de um encantador de serpentes
que vai tocando a sua flauta
enquanto as pessoas (os leitores)
vão se apaixonando de seu texto forte,
instigante e, ao mesmo tempo, musical.
Numa linguagem contida e densa
ele vai trasmitindo o seu mundo
aparentemente simples mas profundo,
que revela o sofrimento sem escândalo,
sem estardalhaço, num clima quase poético,
impregnado de piedade que é também amor.
Um apaixonado da palavra, sua linguagem é a da paixão.
(Lygia Fagundes Telles - No livro do Caio 'Girassóis')
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Sou forte. Meio doce e meio ácida. Em alguns dias acho que sou fraca. E boba. Preciso de um lugar onde enfiar a cara pra esconder as lágrimas. Aí penso que não sou tão forte assim e começo a olhar pra mim. Sou forte sim, mas também choro. Sou gente. Sou humana. Sou manhosa. Sou assim. Quero que as coisas aconteçam já, logo, de uma vez. Quero que meus erros não me impeçam de continuar olhando para a frente. E quero continuar errando, pois jamais serei perfeita (ainda bem!). Tampouco quero ser comum e normal. Quero ser simplesmente eu. Quero rir, sorrir e chorar. Sentir friozinho na barriga, nó no peito, tremedeira nas pernas. Sentir que as coisas funcionam e que tenho que trocar de jeito quando insisto em algo que não dá resultado. Quero aprender e, ainda assim, continuar criança. Ficar no sol e sentir o vento gelado no nariz. Quero sentir cheiro de grama cortada e café passado. Cheiro de chuva, de flor, cheiro de vida. Aprecio as coisas simples e quero continuar descomplicando o que parece complicado. Se der pra resolver, vamos lá! Se não dá, deixa pra lá. A vida não é complicada e nem difícil, tudo depende de como a gente encara e se impõe. Quero ser eu, com minha cara azeda e absurdamente açucarada. Não quero saber tudo e nem ser racional. Quero continuar mantendo o meu cérebro no lugar onde ele se encontra: meu coração. E essa é a melhor parte de mim.(Clarissa Corrêa)
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Depois de tantos silêncios, resolvi voltar a conversar comigo, ainda que mentalmente. Muitas vezes fico assim, recostada em mim, pensamento longe, coração andando devagar e analisando cada cenário que passa em câmera lenta, a vida em preto e branco. Não foi difícil nem tenso, foi diferente.
A gente se depara todo dia com um novo eu. E esse eu é só o que você é e nem sempre vê. Ou é o que você realmente vê e quer esconder. Não nego: fujo um pouco das coisas. Mas não adianta tapar os olhos, gritar, invocar os santos. A vida é agora. E você precisa correr, resolver, decidir. Era pra eu ter crescido antes, mas não consegui. Quis esticar ao máximo algumas etapas. Inconscientemente, me boicoto. Por quê? Por quê? Freud não explica, muito menos anjos e demônios. Resolvi colocar a verdade na frente dos meus olhos: tenho medo. Medo da vida, medo dos dias, medo de encarar que as coisas podem dar certo. Eu mereço, sim, eu mereço. Mereço cada coisinha que conquisto na minha vida. Entendi que nada vem de graça, por mais que você tenha bons contatos ou um rostinho bonito. Ninguém te dá a mão, ninguém te ajuda. Cada um quer saber de si, de salvar a própria pele, de se dar bem e aparecer no jornal com um sorriso branco. O mundo não é assim como eu penso. Coisas piegas, como uma flor, um bilhete, um cartãozinho ou um beijo me fazem bem.
Não quero ganhar milhões, quero ter uma vida confortável e me permitir pequenos luxos. Mas pequenos mesmo: viajar para lugares diferentes, comprar alguns creminhos, perfumes, sapatos e bolsas. Só isso, nada de diamantões e palácios, nada de carro importado com banco de couro. Fico pasma como tem gente que adora aparecer, fico chocada com a capacidade das pessoas de colocar o interesse na frente de tudo. Pessoas efusivas que dizem que amam todo mundo e têm zilhões de amigos me cansam, me dão sono, preguiça e olheiras. Mas descobri que não preciso brigar, falar o que penso, enfiar o dedo na cara, desejar o seu mal ou falar o quanto você é uma cretina para todo mundo. Vou deixar a vida te ensinar. O que quero é que você vá para bem longe com sua felicidade falsa, seu coração vagabundo e sua inveja fantasiada de anjo. Pensei que conhecia muita coisa no mundo, mas vi que não: ainda não tinha conhecido uma pessoa tão baixa e ordinária como você. Vou confessar: sua maldade e poder de manipulação me assustam. Impossível pensar que um dia fomos amigas. Fiquei abismada com seu jeito dissimulado. Você, apesar dos olhos claros, é muito, muito feia. Ainda bem que você nunca me conheceu de verdade, afinal, me mostro para poucos. Fica com as suas verdades, seus rótulos, suas mentiras desbotadas. O mundo está vendo quem é você, quem foi está voltando. Quem se enganou está recobrando o juízo.
Minha consciência é tranquila e meu coração é limpo. Por isso, prefiro ficar afastada de gente que passa a perna nos próprios sentimentos. Que trai, que distorce, que fofoca. Não te desejo coisas ruins, mas o mundo vai girar e vai te mostrar coisas que você não enxerga hoje. Tenho pena de quem vive um relacionamento mentindo, traindo e, principalmente, fingindo. Bom mesmo é ter sucesso e fazer contatos com as próprias pernas, sem precisar de estepe ou escada.
Tem gente que tem lixo por dentro. Tem muito coração cheinho de rato e barata por aí. Desses, quero ficar longe.(Clarissa Corrêa)
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Mãos Geladas
Neons acesos
Hora e temperatura
Completamente zerados
Sinto falta de andar sozinha
Pelas ruas que me cuspiram
Quando caminhei em prantos
Sinto falta de caminhar
sozinha ao amanhecer
Me sentindo com sono e segura
Mochila nas costas
Álcool nas veias
Qualquer coisa
pra me fazer esquecer
Sinto falta das ruas escuras
Arvoredos e praças
Baldes d´água
Regar frutíferas de madrugada
Espaguete às duas
Filmes até cair no sono
Cigarros , whiskys, cervejas, vodkas
Lágrimas, lágrimas, lágrimas...
Sinto falta das ruas, do ar sujo e seco
Porque a dor sempre volta
Nem dá tempo de sentir saudade
Mãos geladas, tremendo
Esperando o último ônibus pra casa
Quatro graus, quatro graus
A quantos graus, Deus meu,
Meu sentir chegou?
O coração não sente
Mero músculo pulsante
Substâncias quìmicas cerebrais
Resolvo as dopaminas
E outra coisa me destrói
Mãos geladas, se aquecendo
Dentro dos bolsos
Caminhando, caminhando
O mundo é belo lá fora
Não compreendo o mundo interno
E nem procuro tentar mais..
Lá fora luzes amarelas
Poluem a visão da escuridão
Sentimentos em vão
Sentimos demais, demais...
E este poema não é pra você
É o desabafo de um sentimento.
De tudo o que eu quero
Deixar pra trás.
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