Estamos com fome de amor...

Tá ai mais um texto que o Jabor acertou em cheio! Não conseguimos nem pensar em alguma imagem que fosse digna de acompanhá-lo! rsrs
Esse é pra ler, divulgar e... praticar!

O que temos visto por ai ???
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes.

Com suas danças e poses em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plasticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer... mas???

Chegam sozinhas e saem sozinhas...
Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos...
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dancer", incrível.

E não é só sexo não!

Se fosse, era resolvido fácil, alguém dúvida?
Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo!
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho, sem necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama .... sexo de academia .. . .

Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçadinhos,
sem se preocuparem com as posições cabalisticas...
Sabe essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção...
Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós...
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos "ORKUT", "PAR-PERFEITO" e tantos outros, veja o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra viver sozinho!"
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis, se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal "beleza"...

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez mais sozinhos...
Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário...
Pra chegar a escrever essas bobagens?? (mais que verdadeiras) é preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa...
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodê, brega, familias preconceituosas...

Alô gente!!! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados...

Mas e daí? Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado...
"Pague mico", saia gritando e falando o que sente, demonstre amor...
Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais...

Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem haver com o que imaginou mas que pode ser a mulher da sua vida...
E, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois...
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza ?

Um ditado tibetano diz: "Se um problema é grande demais, não pense nele... E, se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele?"
Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens e ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado...
O que realmente, não dá é para continuarmos achando que viver é out... ou in...
Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas, maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda, na TV, e também na playboy e nos banheiros, eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos, gostamos sim de olhar, e imaginar a gostosa, mas é só isso, as mulheres inteligentes entendem e compreendem isso.

Queira do seu lado a mulher inteligente: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida"...

Porque ter medo de dizer isso, porque ter medo de dizer: "amo você", "fica comigo", então não se importe com a opinião dos outros, seja feliz!

Antes ser idiota para as pessoas que infeliz para si mesmo!

[Arnaldo Jabor, para o jornal O DIA!]

A Dança

Entre todas as coisas emocionantes, esse poema de Pablo Neruda certamente é uma delas. Um trecho deste soneto foi recitado no filme 'Dr. Patch Adams - O Amor é Contagioso', quando o médico Patch (Robin Williams) recita-o no túmulo Carin (Monica Potter)... lembram-se dessa parte? Tarefa difícil é não ficar com aquele nó na garganta nessa cena, eu sei.
Pois bem, segue a poesia completa para as apaixonadas de plantão se deliciarem!


A Dança
Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio
Ou flechas de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas.
Nada contava nem tinha nome.
O mundo era do ar que esperava
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se dependiam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo.
Caído, abandonado, decaído,
Tudo era inalianavelmente alheio.
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

Huuum... Pudim...


Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir Pudim de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente um pedacinho minúscula do meu pudim preferido.
Uma só.
Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência,
comprar um pudim bem cremoso
e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.

A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade. A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').

Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo, mas tem medo de fazer papel ridículo.
Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar. E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...
Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'. Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.

Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar prazeres incompletos e meias porções.

Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar vários pedaços de pudim, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga: um pudim inteiro um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order', uma caixa de trufas bem macias e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente.
OK?
Não necessariamente nessa ordem.

Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.


[Martha Medeiros]

Tenho lá meus extremos


''Comigo é 8 ou 80,

é ou não é,

foi ou não foi.''

Pra descontrair...

La Maison en Petit Cubes

Aproveitando esse climinha de fim de ano em que as pessoas começam a repensar suas vidas e coisa e tal, assistir ao vídeo desse post é uma boa pedida [mesmo!]. Não foi à toa que o curta ganhou o Oscar de melhor curta de animação em 2008.

É um curta japonês, que tem como personagem principal um senhor, que vive sozinho em um pequeno quarto, em uma cidade totalmente surmersa pelo mar e, ele é o único que ainda resiste em seu quartinho...
Kunio Katô, consegue de maneira ímpar fazer a recaptulação de toda vida do personagem e, aliada à delicadeza da obra, a trilha sonora é um encanto a parte.

Senhoras e senhores, com vocês “La Maison en Petit Cubes”!
Segue o link do youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=6D3QbrV3pT8&feature=player_embedded
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Olhar de Mangá

Quando a mulher ciente da beleza
Encara a natureza e vira Iemanjá
Seduz o coração do homem
Com a tentação do seu olhar de mangá
Foi assim com Lilith, primeira com os olhos de pidona , Brigite e Marilyn, Gisele, Vera Fischer e Madonna

Bem mais do que 15 minutos de glória
O olhar ficou na historia escrito em neon
É sexo feito com os olhos
Um miniorgasmo disfarçado em frisson
Foi assim com Lilith, primeira com os olhos de pidona, Luana e Rita Lee, Dalila, Malu Mader e Fiona

Quero que um olhar igual a esse
Se detenha em mim
Que mexa com meus sentimentos
Me possua até o fim
Enquanto esse olhar não acontece
Eu fico por aqui
Mas sinto que ele está por perto
Azarando por aí

E lá em cima
No jardim do Éden
Os deuses já de porre
Brindam com Maná
A grande sacanagem na Terra
Tudo por causa do olhar de mangá
Foi assim com Lilith, primeira com os olhos de pidona, Medusa e minha mãe, Xuxa, Fernandinha e Fernandona

E segue a maratona
Paula Toller, Lady Dy, Iracema, Dona Flor,
Cicarelli, Wanderléa, Pitanga, Calcanhotto e Madalena
Grace kelly, Rosemary, Luluzinha, Juliana,
Barbarella, Angelina, Frida Kahlo, Capitu e Messalina
Simone, Salomé, Mata Hari, Beth Davis
Marina, Martha Rocha e Monalisa
Patrícia, Marisa Monte, Esmeralda, Marília Pêra
Bethânia, Sharon Stone, Margie Simpson
Ivete, Gal, Bibi Ferreira, Janis Joplin, Halle Berry, etc...

Todas com os olhos de pidona.

A vida é um cubo mágico!

Todos nós temos uma biografia secreta. Aquela que ninguém conhece. Não fará parte de um livro, está protegida dentro de nós e ninguém terá acesso. É como se houvesse um mundo dentro de outro e um deles possui senha e é bloqueado para visitantes. É aquela parte do caminho em que preferimos seguir sozinhos, sem companhia, em silêncio absoluto, desfrutando cada detalhe do enredo que construímos.
Estamos sempre descobrindo o que queremos esconder. E essas pequenas partes são preciosas; não há que se dividir com os outros. Elas pertencem ao nosso eu interior; não precisam ser expostas à apreciação e julgamento alheio. É como se a vida fosse um cubo mágico, com infinitas possibilidades de combinações. Porém, aquelas que só nós conseguimos criar, devem ser guardadas do mundo para que não percam a essência.
Sempre estamos buscando no dia seguinte uma chance para nos sentirmos satisfeitos com a vida. Queremos que, de repente, algo aconteça de bom e nos encha de alegria. Se o hoje não está a contento, por que seria amanhã o dia de sorrir? O que estamos fazendo neste momento, que possibilidades estamos criando para que a plenitude se aproxime? Se o problema está nos outros, não seria hora de se afastar um pouco e descobrir o que está errado? Será que o erro não é nosso?
Ninguém nos completará em plenitude. Temos dias de sonhos e noites de pesadelos e isso pode não coincidir com os mesmos dias e as mesmas noites de quem está conosco. Não é porque estou para lágrimas que a pessoa ao meu lado deverá chorar também. As minhas combinações podem não estar no mesmo ritmo das combinações do outro. Por que querer conduzir os passos em dupla se a música atual tem uma nota só?
Viver é uma necessidade. Se feliz ou triste, é apenas um detalhe. A questão é ser coerente com as expectativas: não se pode procurar pelo azul quando se está tentando encaixar o vermelho. É preciso apagar histórias mal vividas para poder estampar um novo quadro na parede. E mesmo que isso leve muito tempo, faz-se necessário descobrir o que o atormenta e o que o faz feliz de fato, o que o inibe e o que o encoraja. A partir disso, é expandir as suas fronteiras para um único alvo.
Somos sós. Somos únicos. Ninguém consegue partilhar das mesmas emoções o tempo todo. Temos as nossas preferências, os momentos ruins que destoam da história que, de repente, estamos vivendo. E já que somos enigma, não devemos esperar que o outro entenda o nosso presente desajuste. É uma viagem desconhecida que pode ter curta ou longa duração. Quem pode prever que o campo em que estamos pisando não está minado? Não se pode depositar sonhos e planos na vida que não lhe pertence. Cada um tem a sua história e só deverá dividir o que houver para ser dividido. Há uma parte que é só nossa.
Escreva a sua vida de acordo com a vontade presente. Simule-a se for preciso, dê a ela todas as possibilidades, descompromissando-a de simetria. Dramatize, romanceie, satirize, atinja o topo sem se cansar muito. Não seja flexível demais para não se perder e não tente tirar da cabeça aquilo que está no seu coração...
[Luciana Penteado]
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A procura de alguém


''Não quero alguém que me ame absurdamente, mas o suficiente
Não quero alguém que diga-me “Eu te amo”, mas que me transmita valores
Não quero alguém que me ligue todos os dias, mas alguém que esteja em sintonia comigo
Não quero alguém que me dê presentes, mas alguém que lembre-se de mim
Não quero alguém que sinta ciúmes, mas que se importe comigo
Não quero alguém que faça declarações de amor, mas que saiba se expressar
Não quero alguém que me guie, mas alguém que caminhe junto comigo
Não quero alguém com grandes coisas, mas alguém com significados
Não quero alguém que me escute, mas alguém que saiba me decifrar
Não quero alguém que me elogie, mas alguém que me admire
Não quero alguém que me aconselhe, mas alguém que me encoraje
Não quero um confidente, mas um cúmplice
Não quero nem muito nem pouco, mas o bastante!"

Talita Scotto
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Utopia

"A utopia está lá no horizonte.
Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos.
Caminho dez passos e o horizonte corre dez.
Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.

Para que serve a utopia?
Serve justo para isso.
Para que eu não deixe de caminhar"

(Eduardo Galeano).

Gandhi

Mahatma Gandhi, nasceu em 2 de Outubro de 1869 na India Ocidental e morreu assasinado por um hindú enfurecido e exaltado em 30 de janeiro de 1948 numa reunião de oração sendo que, com seu último suspiro, cantou o nome de Deus.
Desde 1914 retornou à India vindo da Inglaterra onde se encontrava estudando Direito e iniciou a luta pela independência da dominação britânica que já durava 3 séculos. Como líder político e espíritual da Índia, liderou pacificamente, sem agressões sem armas ou uso de força, mais de 250 milhões de hindus, sabendo utilizar-se engenhosamente de toda a Tradição para reerguer o orgulho e insuflar o civilismo da sua gente.
O nome ou apelido lhe atribuído "Mahatma", quer dizer: "Grande Alma".
Eis aqui, como rezava Mahatma Gandhi:





''Meu Senhor...
Ajuda-me a dizer a verdade diante dos fortes e
não dizer mentiras para ganhar o aplauso dos débeis.
Se me dás fortuna, não me tires a razão.
Se me dás êxito, não me tires a humildade.
Se me dás humildade, não me tires a dignidade.
Ajuda-me sempre a ver a outra face da medalha, não me deixes
culpar de traição a outrem por não pensar como eu.
Ensina-me a quierer aos outros como a mim mesmo.
Não me deixes cair no orgulho se triunfo, nem no desespero se
fracasso pois é a experiência que precede o triunfo.
Ensina-me que perdoar é um sinal de grandeza e
que a vingança é um sinal de baixeza.
Se me tiras o êxito, deixa-me forças para aprender com o fracasso.
Se eu ofender a alguém, dá-me a energia para pedir
desculpa e se alguém me ofende, dá-me energia para perdoar.
Senhor... se eu me esquecer de ti, nunca te esqueças de mim! ''
[Mahatma Gandhi]
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Os balões e os amores

Eu adorava balões de gás quando era criança. Lembrando disso, aparentemente por acaso, tantos balões depois, recordo com um sentimento muito nítido o prazer macio que experimentava cada vez que ganhava um. Ficava toda prosa. Virava um pé de riso. Andava de um canto para o outro com a pontinha do dedo amarrada ao pedaço de linha que permitia que o levasse comigo e impedia que se afastasse de mim. Aquele fio era a ponte que possibilitava o nosso encontro. O recurso que me garantia que, enquanto eu o mantivesse próximo, o balão permaneceria no mesmo metro quadrado onde o meu encanto existia.

A verdade é que, apesar de tanto zelo e de geralmente, por medida de segurança, chegar a asfixiar a ponta do dedo com tantas voltas de linha, poucos foram aqueles que cumpriram o destino previsto para os balões: estourar de repente ou esvaziar devagarinho até se transformar num pedaço de borracha triste, que em nada se assemelha ao formato anterior. Na maioria das vezes, a linha se soltava da minha mão por algum descuido e eu assistia o balão voar para longe, cada vez mais longe, cada vez mais longe, cada vez mais longe ainda do meu alcance.


Eu ficava lá, coração marejado, pé de riso sem flor, acompanhando aquele voo permeado de susto e de vento. Olhar estático, vida suspensa, experimentava a impotência de flagrar o afastamento do objeto amado sem poder fazer absolutamente nada que pudesse, naquele trecho dos ponteiros, alterar o itinerário que a surpresa desenhara. Os adultos me confortavam. Prometiam outros balões, que eu sabia que viriam. Costumavam vir. Mas aquele, aquele lá, que já voava distante, pequenino ponto já sem cor definida no céu, aquele não voltaria mais. Era por aquele que a tristeza virava chuva em meu rosto. Por aquele, cujo fio da linha não consegui manter comigo. Por aquele que despertara os risos que ainda ecoavam em mim.

Depois que virei gente grande, descobri, com lucidez embaraçosa, que alguns amores se afastam do nosso alcance igualzinho ao que acontecia com aqueles balões que vi se distanciarem cada vez mais, cada vez mais, cada vez mais. No início, a gente caminha todo prosa, um pé de vida florido, pontinha do sonho amarrada ao pedaço de linha que se chama esperança. Planos de jardim com girassóis, filho contente, cachorro, horta, rede na varanda, e aquela mão segurando a nossa, estrada afora. De repente, começa a ventar o vento que tira os sonhos do lugar, que faz o fio da linha se desprender do dedo, que recolhe a ponte e deixa o abismo. Um vento soprado pela desatenção, o descuido letal para os balões e os amores.

Há um momento sem sol em que a gente percebe que o amor anoiteceu. O coração enxovalhado, ferido, está exaurido pela aflição de tanto esticar-se para tentar alcançar o fio da linha que se soltou e amarrá-lo de novo na pontinha dos sonhos. No fundo, ele sabe que não o alcançará: voa longe demais da possibilidade de alcance. Se ainda insiste, buscando impulso para pulos cansados, é porque aquele amor, exatamente aquele, ainda é tudo o que ele mais deseja. Porque não sabe onde colocará as mãos, o encanto, o olhar, depois daquele instante. Porque não lhe importa que outro amor venha ao seu encontro. É aquele, aquele lá, que ainda o descompassa.

Vida marejada, nó apertado na garganta das coisas, chega finalmente o momento em que desejamos apenas o sossego que costuma vir com a aceitação. Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. É permitir que voe sem que nos leve junto. É aceitar que a esperança há muito se desprendeu do sonho. É aceitar doer inteiro até florir de novo. É abençoar o amor, aquele lá, que a gente não alcança mais.

Não existiria som...

... Se não houvesse o silêncio
Não haveria luz
Se não fosse a escuridão
A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz.
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer...

A vida é mesmo assim,
Dia e noite, não e sim...

Cada voz que canta o amor não diz
Tudo o que quer dizer,
Tudo o que cala fala
Mais alto ao coração.
Silenciosamente eu te falo com paixão...

Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz,
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som,
Tem certas coisas que eu não sei dizer...

[Certas Coisas - Lulu Santos]

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Sagitário é ser dualidade

Filho do fogo, da alegria e do vento
e de Júpiter, o deus da sorte e do conhecimento.
Sua dupla natureza de cavalo e cavaleiro andante
de Centauro e Arqueiro viajante
sábio guerreiro pensante
conselheiro mandante
reflete o deus e o animal
o Criador e a criatura
terrestre e imortal
a chama da terra e o fogo espiritual
preso às forças do chão
e solto na rebeldia da evasão.
Arco firme, vida em movimento
o coração de pássaro livre
abre-se em chamas
para o firmamento.
Seus olhos são flechas buscando aventuras
em eternos arremessos além do horizonte
somando recomeços e mudanças.
Entre esforços terrenos e divinos
grande é a luta
a fé na vida
e a esperança!
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... e Deus espectador!

'O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca
que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como

a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica

É quando as emoções viram luz,

e sombras e sons, movimentos
E o mundo todo vira nós dois, dois corações bandidos
Enquanto uma canção de amor persegue o sentimento
O Zoom in dá ré e sobem os créditos...'

[O Amor é Filme - Cordel do Fogo Encantado]
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Não há nem quem nem quê!

Você pra mim é o sol da minha noite,
é como a rosa luz de Pixinguinha;
é como a estrela pura aparecida,
a estrela a refulgir do Poetinha;
você,ó floré como a nuvem calma
no céu da alma de Luiz Vieira;
você é como a luz do sol da vida
de Stevie Wonder, ó minha parceira.

Você é pra mim o meu amor
crescendo como mato em campos vastos;
mais que a Gatinha pra Erasmo Carlos,
mais que a cigana pra Ronaldo Bastos,
mais que a divina dama pra Cartola,
que a domna pra Ventadorn,Bernart;
que a Honey Baby para Waly Salomão
e a Funny Valentine para Lorenz Hart!

Só você,
mais que tudo e todas, é só você!
só você que é todas elas juntas num só ser!

[Todas elas juntas num só ser - Lenine]

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Palavras do coração


São sorrisos largos
Lagos repletos de azul
Os corações atentos
Ventos do sul
São visões abertas
Certas despertas pra luz
A emoção alerta
Que nos conduz

Sonhos aventuras
Juras promessas
Dessas que um dia acontecerão
Você me daria a mão?
Todos estes versos soltos dispersos
No meu novo universo serão
Palavras do coração

Os artifícios
Vícios deixando de ser
Os velhos compromissos
Pra esquecer
São pontos de vista
Uma conquista comum
O mesmo pé na estrada
De cada um

Sonhos aventuras
Juras promessas
Dessas que um dia acontecerão
Você me daria a mão?
Todos estes versos soltos dispersos
No meu novo universo serão
Palavras do coração.

Bruna Caram
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Mais uma canção


Nada vai mudar entre nós
Como eu sei?
Eu só sei

Tudo vai permanecer igual
Afinal
Não há nada a fazer

Eu não nego
Eu me entrego
Você é meu grande amor
Hoje eu vou te dizer "eu te amo”

Eu imploro
Eu te adoro
Você tem meu coração
A bater pra você mais uma canção

Como pode alguém perder você
Como eu fiz
Como eu quis não te ter?

Vivo iludido
A acreditar que o amor
Não se pôs em você

Eu me entrego
Eu não nego
Eu errei, mas sou capaz
de fazer sua vida melhor

Tô voltando
Não sei quando
Pra roubar teu coração
Vou chegar no final de mais uma canção.

Los Hermanos
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''Pode ser numa canção



Pode ser do coração



Euquero ter
você




por perto!''
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''Eles dizem que nós, garotas, somos como músicas bonitas,
como canções inesquecíveis!
Você nunca pensou em mim como uma melodia que você gosta?''



- Lucy Van Pelt
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Huuum !



Você anda de roubando a fala,
suas palavras andam me deixando sem as minhas,
Eu sinto sua pele tocar-me a distância,
seu toque fervescente,
seu hálito fresco em gotas fortes, cravejar em mim
Um dia deixarás de ser fugitivo e serás prisioneiro em mim.
Sem chaves, só amarras...
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"A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão."


(Caio Fernando Abreu)
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Coisas Lindas





O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...



[Fernando Pessoa]
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"Ninguém tem a
felicidade garantida.
A vida simplesmente dá a cada
pessoa tempo e espaço.
Depende de você
enchê-los de alegria."

(autor desconhecido)
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O u t u b r o





Hum, que cheirinho de primavera!
Hum, mas essa primavera tem uma fragância combinada, ela também cheira a verão...hum !
Eu amo Outubro. Amo, amo, amo de paixão. Desde criança. Claro que tinha o Dia das Crianças, mas era mais que isso, era o sol quente de novo, o fim de ano mais próximo, as férias, os primeiros papos sobre como seria o Natal, os dias felizes que só o verão traz. Mamãe deixava a gente ficar lá fora por mais tempo, e a gente amava isso. Sempre fomos rueiros, os filhos da minha mãe. E juntava as crianças da vizinhança, e meus primos e primas que surgiam feito pipoca e todo dia era dia de festa. Aí, a gente cresce, os dias não mudam mais de mês para mês, a rotina, os afazeres a fazer, as coisas todas da vida, mas aquela sensação persiste. A sensação de que poderei ficar mais tempo lá fora, e que fazer a lição já não é tão importante pois já tenho notas o suficiente pra passar. Ai!... porque a gente cresce? Onde ficam aqueles dias felizes? Não parece desperdício que passem tão rápido os dias tão felizes? Estou nostálgica e melancólica hoje. Quase sinônimos que remetem ao passado. Mas, estranhamente estou assim também pelo que não foi mas poderia ter sido. Pelo que vive, mas não cresce. Pelo que existe nas sombras, mas que não consegue chegar à luz. Pelo telefone que tocou aqui, e não foi atendido. Pelo retorno que tocou lá e que igualmente não foi. Pelas palavras que queriam ser ditas, de lá, de cá, mas que não foram, nem nunca serão. Nunca...nunca... nunca. Certa vez, justo no mês de Outubro, passei uns dias numa praia linda de Maceió. Lá, conheci um moço que tinha Mar no nome e que antes de eu ir embora, disse-me: _ Surpreenda-me! Achei tão linda essa forma de se despedir, algo como um pedido pra eu ficar. Não fiquei, tinha que voltar, foi uma paixão que viveu o tempo que tinha pra viver.
Mas hoje, essa frase tão linda fica coçando na minha língua, louca pra ser dita para aquele que tem todas as minhas horas nas mãos, mas não sabe oque fazer com elas.
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Falando de Mulheres







O desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está a fêmea da espécie humana.

Tenho apenas um exemplar em casa,que mantenho com muito zelo e dedicação, mas na verdade acredito que é ela quem me mantém. Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha 'Salvem as Mulheres'! Tomem aqui os meus parcos conhecimentos em fisiologia da feminilidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:



Habitat: Mulher não pode ser mantida em cativeiro. Se for engaiolada, fugirá ou morrerá por dentro. Não há corrente que as prenda e as que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse de uma mulher, o que vai prendê-la a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente.


Alimentação correta: Ninguém vive de vento. Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro. Beijos matinais e um 'eu te amo' no café da manhã as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia. Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não a deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial.


Flores: Também fazem parte de seu cardápio - mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.


Respeite a natureza: Você não suporta TPM? Case-se com um homem. Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia, discutir a relação? Se quiser viver com uma mulher, prepare-se para isso.


Não tolha a sua vaidade: É da mulher hidratar as mechas, pintar as unhas, passar batom, gastar o dia inteiro no salão de beleza, colecionar brincos, comprar muitos sapatos, ficar
horas escolhendo roupas no shopping. Entenda tudo isso e apoie.


Cérebro feminino não é um mito: Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino. Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente o aposentaram!). Então, agüente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração. Se você se cansou de colecionar bibelôs, tente se relacionar com uma mulher. Algumas vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja dessas, aprenda com elas e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com os homens, a inteligência não funciona como repelente para as mulheres.


Não faça sombra sobre ela: "Se você quiser ser um grande homem tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda. Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar. O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios. Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo."


- Infelizmente desconheço a autoria!
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Sobre o arrepio





O arrepio é quando,
por serem tão leves,
seus dedos conseguem,
em cada um dos meus poros:
soerguer uma flor.

(Rita Apoena)
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Há momentos em que a luz miúda nos revela muito mais que mil holofotes.
Chega de vida complicada. Eu preciso é de simplicidade!


(Pe. Fábio de Melo)
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O meio


E se eu dissesse que nunca me senti tão minha e tão completamente dividida? É estranho admitir que sempre vivi de migalhas e mais estranho ainda é só ter percebido isso agora.
Você abraçou meus defeitos, minhas esquisitices e até a minha mania de querer ser inalcançável e inatingível. Derrubou meus limites e me fez agir por impulso, destruiu boa parte da minha racionalidade e fez com que eu sentisse o mundo mais de perto, o mudo mais meu.
Cansei de procurar uma resposta ou alguma explicação convincente e, embora com medo, me permiti sentir. Você é meu desafio mais perturbador, mais intenso, incerto, atraente, secreto. É minha página interminável, constantemente lida pra matar essa eterna saudade que teima em gritar tímida e silenciosamente.
Eu tenho medo, sabe? Medo de que eu dê tudo de bom que eu venho guardando com as melhores e piores experiências e que você não esteja sinceramente disposta a receber. Aí, eu acabo concluindo que não vale a pena, mas logo depois me afogo em arrependimento e vontade de terminar esse texto e deixar ele aberto na sua frente, só pra você ler e saber que eu tenho medo. Você não deixa idéias subentendidas que me dêem certeza, você não tem um mapa e eu não tenho confiança. Esqueço.
Começo a me preencher de assuntos que me fazem esquecer momentaneamente das minhas vontades românticas, só que isso acaba se tornando uma faca de dois gumes... nesse momento começo a ter medo de ficar só pra sempre por eu ser assim tão estupidamente cuidadosa.
Eu só queria dizer sim com um sorriso livre de receios estampado no rosto, um sorriso tranqüilo e ao mesmo tempo ensurdecedor que faça você escutar o que eu quero dizer de verdade, que faça você ter certeza.

Um sim.
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Quem diz que ama mais, desacredita o seu amor,
Porque ainda que o crescer seja aumento, é aumento que supõe imperfeição.
Amor que pode crescer, não é amor perfeito.


(Pe. Antônio Vieira - Sermão do Mandato)
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"Não precisa marcar hora
Odeio datas, odeio dias
Nada que tenha contagem me agrada
Nada me seja marcado com antecedência
É bom surpreender-se com as surpresas
Deixar que cheguem as novidades coloridas
No mais, me importa o que sei:
Te recebo em cada segundo da minha vida."


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60tão


Em 2 de outubro de 2010, 'Peanuts' completam 60 anos de existência.
As tirinha de Shultz, seu criador, já foram publicadas em 75 países, em 2.600 jornais distintos, viraram desenho animado e foram parar nos palcos do teatro com o musical 'You're a good men, Charlie Brow'. Com uma linguagem fácil de ser entendida, Snoopy, Linus, Lucy, Cralie Brown, Patty Pimentinha, Marcie, Schroeder, Sally, Woodstock e etc., estarão sempre presentes no nosso dia-a-dia e nas nossas lembranças.
Além de nos alegrar por uma tirinha de tão bom gosto ainda viver nos dias de hoje, só nos resta ficar a imaginar, como seria o dia em que Charlie chutaria a bola de futebol americano e o dia em que encontraria a sua Garotinha Ruiva...


'Mas que puxa!'

Degradê


Tem dias que a gente quase não cabe
em si de tanta felicidade...
mas não é uma felicidade qualquer.
É uma alegria, um contentamento
tão grande de estar por aqui e
ter a clareza e a delicadeza
de ver com os olhos do coração.
Um degradê vem e traz a certeza de
que é possível sentir-se em paz...
Ahh, que eu tenha muitos fins de tarde
vistos com os olhos da alma!
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Florescimento


Encontros preciosos não são necessariamente
os que nos trazem jardins já floridos.

São, um bocado de vezes,
aqueles que nos ofertam mudas.

(Ana Jácomo)



Dica das R a r a s:
Visite o blog de Ana Jácomo e se encante com outros belos e sinceros textos.

Românticos - Vander Lee

Românticos são poucos
Românticos são loucos
Desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro
É o paraíso...

Românticos são lindos
Românticos são limpos
E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha
E sem juízo...

São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...

Romântico
É uma espécie em extinção!
Romântico
É uma espécie em extinção!

Românticos são poucos
Românticos são loucos
Como eu!
Românticos são loucos
Românticos são poucos
Como eu! Como eu!
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''Quero mais.
Quero a paz!''

Consumo, logo existo


Ao visitar a admirável obra social do cantor Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças. "Quem trouxe a fome foi a geladeira", disse. O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc. A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima
de sua utilidade.

Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.

É próprio do humano - e nisso também nos diferenciamos dos animais - manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico. A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais. Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.Marx já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos "Manuscritos econômicos e filosóficos" (1844), ele constata que "o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens. Portanto, em si o homem não tem valor para nós."

O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social. Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígene cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém. Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho
guardado na adega, uma jóia? Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife. Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em Cinderela. Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder.

Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc. Comércio deriva de "com mercê", com troca.

Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas. Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.

Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo. "Nada poderia ser maior que a sedução" - diz Jean Baudrillard - "nem mesmo a ordem que a destrói." E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.

Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. "Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático", respondo. Olham-me intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês, respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz".

FREI BETTO
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Aquele amor...

Ela pertence à espécie de mulheres que possuem um só amor em toda a sua vida. Ou amam de verdade apenas uma vez. Seria espécie de mulheres ou a maioria assim o é, mesmo sem o saber? Também há homens de eterno amor, embora o machismo e as deformações de sua cultura e comportamento nem sempre os convença de tal. Ou não convença a maioria. Ou será que o fato de serem colocadores de semente por determinismo biológico os leva a não prestar a devida atenção à sua destinação para o amor?

No meio da conversa ela diz, de repente, que só gostou de verdade de um homem e eis que vai buscar lá entre papéis amassados, daqueles que esturricam o couro das carteiras, não um mas três retratos dele, que espalha, qual cartas de baralho, sobre a mesa do restaurante. E fala dele com a mistura de ternura e tristeza que assaltam as mulheres que não lograram viver com o seu amor, casar-se com ele, ter seus filhos, viver em função dele e dela, unidos, pois esta é a verdadeira vontade e destinação da mulher: viver ao lado do verdadeiro amor.
Sim, elas vivem de modo proibido se necessário, casam-se com outro, têm filhos, os amam fundamente, mas a verdade de seu ser é a do amor verdadeiro, até porque mulher vive para amar e por amor, o resto se ajeita. Podem até deixar seu amor dormitar por anos e parecer serenado. Volta, porém a qualquer apelo ou menção do nome dele, encontro fortuito na rua com um conhecido dos tempos do namoro ou da relação.
Como são comoventes e lindas na sua integralidade bíblica as mulheres quando expressam para os demais ou para si mesmas, o amor de suas vidas ou quando consultam, escondido, os retratos guardados, recortes, flores secas, a memória úmida das restantes lembranças em momentos de silêncio e solidão!
Abençoados sejam, porque são, os homens e as mulheres que na passagem por esta vida receberam um dia de alguém, ou deram, um amor único, original e definitivo. Abençoados sejam e para todo o sempre. Como o amor que existe apesar de todas as ternas e dolorosas circunstâncias que não impedem a sua verdade mas em muitos casos esmagam a sua plena realização.

[Artur da Távola]

Pra ser sincero



Eu era tão feliz

E não sabia, amor
Fiz tudo que eu quis
Confesso a minha dor...

E era tão real
Que eu só fazia fantasia
E não fazia mal...

E agora é tanto amor
Me abrace como foi
Te adoro e você vem comigo
Aonde quer que eu vôe...

E o que passou, calou
E o que virá, que dirá
E só ao seu lado
Seu telhado
Me faz feliz de novo...

O tempo vai passar
E tudo vai entrar
No jeito certo
De nós dois...

As coisas são assim
E se será, que será
Pra ser sincero
Meu remédio é
Te amar, te amar...

Não pense, por favor
Que eu não sei dizer
Que é amor tudo
O que eu sinto
Longe de você...

uhmm...

E agora é tanto amor
Me abrace como foi
Te adoro e você vem comigo
Aonde quer que eu vôe...

E o que passou, calou
E o que virá, que dirá
E só ao seu lado
Seu telhado
Me faz feliz de novo...

O tempo vai passar
E tudo vai entrar
No jeito certo
De nós dois...

As coisas são assim
E se será, que será
Pra ser sincero
Meu remédio é
Te amar, te amar...

Não pense, por favor
Que eu não sei dizer
Que é amor tudo
O que eu sinto
Longe de você...


(Carlinhos Brown e Marisa Monte)

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A porta do lado


Em entrevista dada pelo médico Drauzio Varella, disse ele que a
gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos
que absolutamente tudo dê certo, e que, às vezes, por aborrecimentos
mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada.

E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente...

É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na
garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping). Em vez de
simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua
vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.

Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a
abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de
algumas pessoas melhor, e de outras, pior.

Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos,
mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes.

Será que nada dá errado pra eles? Dá aos montes. Só que, para
eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor
diferença.

O que não falta neste mundo é gente que se acha o último
biscoito do pacote. Que "audácia" contrariá-los! São aqueles que nunca
ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga
e não deixam barato.

Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente.
O mundo versus eles.

Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também.
É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema
solúvel. E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser
resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido
de desculpas, um deixar barato.

Eu ando deixando de graça... Pra ser sincero, vinte e quatro
horas têm sido pouco prá tudo o que eu tenho que fazer, então não vou
perder ainda mais tempo ficando mal-humorado.

Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e
gente idem; pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a
"porta do lado" e vou tratar do que é importante de fato.

Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do
bom humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros
dá errado."

Quando os desacertos da vida ameaçarem o seu bom humor, não
estrague o seu dia... Use a porta do lado e mantenha a sua harmonia.
Lembre-se, o humor é contagiante - para o bem e para o mal - portanto,
sorria, e contagie todos ao seu redor com a sua alegria.
A "Porta do lado" pode ser uma boa entrada ou uma boa saída... Experimente!


(Dráuzio Varella)

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Essas coisas que falam por aí




Sempre me senti diferente dos outros. Não mais bonita, não mais inteligente, não mais especial, não mais esperta, não mais maluca, não mais legal, apenas diferente. E mais sardenta. Sou diferente na forma de sentir, tudo que me toca, me toca fundo. Tudo que me alegra, me alegra muito. Tudo que me dói, dói forte, corta. Nunca tive muitos freios em matéria de sentimento. Sempre que eu quis ir, fui. Muito me estrepei. Sempre que quis falar, falei. Muito me ralei. Aprendi um pouco a calar, a tentar respirar fundo e pensar.

Me importo demais com as pessoas que amo. Quem eu gosto levo comigo no peito. Me preocupo, procuro ajudar no que posso (e, confesso, muitas vezes no que não posso também). Não sou uma ninja nem a Mulher Maravilha, sou apenas uma mulher que tem sentimentos intensos. E grandes. Não vale a pena sentir pequeno, se é pra ser, que seja com tudo que pode. Com tudo que existe, com todas as forças, com tudo que tem de bom e de ruim. Tenho lá meus extremos. Comigo é 8 ou 80, é ou não é, foi ou não foi. Não sou muito paciente e isso muitas vezes me traz transtornos. Mas procuro, acima de tudo, ser eu. E se errei, desculpa, mas eu consigo dizer. Tem gente que esconde. Nem sempre eu chego e falo "errei, foi mal, desculpa aí". Muitas vezes mostro de outras formas. Nem tudo precisa ser dito através de palavras, apesar de eu adorar tê-las por perto.

Às vezes, me sinto deslocada. Vou contar um segredo pra você: sou o tipo de mulher que não trai. Verdade, nunca traí. Acho a traição uma coisa tão suja e puta. A palavra por si só já é feia e tem som estranho. Não gosto, não cabe em mim. Traição não é o meu número, fica apertado. Juro, nunca traí nem em pensamento, nem virtualmente, nem nada. Nunca nem flertei, pisquei olho, joguei o cabelo ou tentei seduzir alguém com algum gesto. Se eu estou com alguém, estou com alguém. Acho que as pessoas precisam ter respeito. Cansou, não dá mais, o sentimento se perdeu, não tá mais a fim? Diz. Fala. Termina. Cai fora. E depois solta a franga. Antes, não.

Tenho pânico de traição. Já conversei sobre isso no divã, em mesa de bar e com minha cadela. Mulheres da minha família já foram traídas, já acompanhei de perto algumas histórias. Amigas minhas já foram traídas, já acompanhei de perto algumas histórias. E morro de medo. Sei que na vida nada é garantia de nada. Amanhã mesmo o cara que hoje é o amor da minha vida pode conhecer uma mulher e se apaixonar e me dar um pé na bunda. Mas se acontecer, por favor, converse comigo antes de fazer qualquer coisa. Prefiro assim, mesmo que eu sofra, que doa, que machuque. Não vou morrer, não. Por mais amor que se tenha, ninguém morre de amor. A gente se quebra todinha, mas sobrevive. Tudo dói, mas o tempo deve curar. Peço que tenha a decência de conversar, de respeitar o amor que teve um dia. Me dê um tchau antes de dar oi para alguém. Sei que o coração é imprevisível, pode balançar a qualquer momento, mas manda ele se aquietar só um pouco, me fala o que precisa e depois segue em frente. As coisas são simples. O amor não pode ser complicado. Se ele existe, existe. Se deixou de existir, tudo bem, dizem que nada é eterno. Ou que só é enquanto dura. Enquanto durar, que seja honesto e digno.

Sou o tipo de mulher que tem a foto do namorado no celular. A foto, não, as fotos. E na carteira também. E deixo bilhetes, faço surpresas, escrevo textos românticos e sonho casar num lugar bonito e ter uma filha bonita. O tempo fez com que eu entendesse que contos de fadas existem. Mas não aqueles dos livros. Existem os da vida real, que falham, chegam atrasados, mas chegam. Estão lá, sempre. Por isso, insisto: não admito gracinhas e frescuras. Riram da minha cara ao ver que eu tinha foto na carteira. Que coisa fora de moda. Oi? Amar é fora de moda? Você acha brega ter uma foto na carteira? Eu não acho. Você acha brega não olhar para o lado? Eu não acho. Desculpa, você pode estar me achando uma tapada. Às vezes eu sou mesmo. De vez em quando me sinto uma idiota, boba, trouxa, que acredita em tolices. Mas essa sou eu, idiota, boba, trouxa, que acredita em tolices e é diferente dos outros.

Não faço reunião para comentar sobre o colega gatinho. Não tenho tesão pelo cara que trabalha lá no lugar tal. Não sinto vontade de dar para outros caras. Nem de beijar. Nem de ficar de frescura. Não suporto gente que fica de abracinho, dando indireta, fazendo brincadeirinha com conotação sexual. Uma coisa é a brincadeira, outra é a brincadeira com um quê de verdade. A gente sabe e sente. Tem muito colega de trabalho que é carinhoso, querido e prestativo sem querer nada. Já outros querem tudo. Tem muita mulher que fica se esfregando, sentando no colo, abraçando, beijando, falando merda. Tenho certeza que se os namorados vissem tal comportamento não gostariam nadica de nada. Assim como tem muito homem que se passa com as mulheres, ficam dando letrinha, falando coisas que podem ser mal interpretadas, flertando, paquerando. Acho deselegante e desleal.

Tem gente, eu sei, que me acha meio extraterrestre. Alô, Clarissa, oi, olha o fulano, viu o fulano, já reparou na cor da cueca do fulano. E eu fico boiando, sem entender, porque não presto atenção. E não presto atenção porque realmente não me importa. Cada um tem o seu jeito, o meu é esse. Acho que muita gente fica flertando porque precisa se sentir desejada. Mas, francamente, não tem nada melhor que ser desejada pela pessoa que está ao seu lado. Fim.

(Clarissa Corrêa)

Partindo

já que estamos falando de viagens:

O apertar da buzina evidenciava a chegada. As janelas lotadas permaneciam atentas ao rápido movimento. Eram várias as pessoas que ali estavam. Todas apinhadas para aquele desfile mordaz. As motocicletas passavam cuspindo no chão, enquanto eu ficava a observar as tatuagens, os capacetes e os cabelos longos jogados para o vento. Um grito que ocupava a sala me mandava entrar. Eu tinha que sair de lá, fechar a janela. E deixar para trás o desejo por tudo aquilo que nunca seria conquistado. Mas as pernas não obedeciam.

Era sempre ao anoitecer. Antes da missa. Eu os esperava chegar com o vestido desajustado ao corpo. Sem curvas, sem sexo, sem nada. Embora folgado, me apertando a liberdade. Por vezes me achava imaginando o que pensariam eles se me encontrassem em tamanha incompatibilidade. Tinha vontade de abrir o armário, experimentar novas cores, encontrar o tamanho certo. Algumas vezes quase cheguei a fazê-lo, mas minha coragem cativa me amaciava. Eu continuava igual e eles nunca chegavam. Até um dia de indisposição.

Neste dia em questão, meus pais, o velho e a velha, se preparavam para alguma festa da paróquia. Eu fiquei na cama, enquanto encenava tonturas, espasmos, titubeações. Eles se voluntariaram a ficar comigo, mas eu teimei em que fossem. E eles foram.

Assim que o bairro todo saiu, sentei a soleira da porta, abraçada aos joelhos. Ao meu lado, a pequena mochila verde-musgo dividia a apreensão. Ali, em mim, vestidos não cabiam. Eu era corpo, era cor e cabelo amarrado. Pela primeira vez era mulher. Mulher como aquelas que se deixam arrastar pela estrada, que se entregam ao vento impetuoso. Que se perdem rápidas no fim da rua ao entardecer. Eu era coragem e decisão.

Aquela era uma das poucas vezes que os estrondos das motocicletas não tinham platéia a sua espera. Apenas eu. O sol começava a baixar. Amarrei os cadarços, coloquei a mochila nas costas e me levantei. Em minhas mãos suadas pelo nervosismo, estava meu passaporte para a liberdade. Ticket sem volta. As motocicletas se aproximavam cuspindo pelo chão.

(A/C Ferreira)

''Um homem...

precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”

[Amir Klink]

Que assim seja!




“Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.”
[Caio F.]

Tocando em frente



Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei de mais,
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou
Nada sei, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs.
È preciso amor pra puder pussar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida, seja simplesmente
Compreender a marcha, ir tocando em frente,
Como um velho boiadeiro, levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou,
Estrada eu sou, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maças,
È preciso amor pra puder pussar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora,
Cada um de nos compõe a sua historia, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz,
conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maças,
È preciso amor pra puder pussar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei de mais,
Cada um de nos compõe a sua historia, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz!

[Almir Sater]

Amor próprio!


Muitas pessoas confundem, acham que amor próprio é auto-estima... uma coisa complementa a outra, mas são totalmente diferentes.
Me divirto quando ouço as mulheres dizendo, 'aah sim, eu tenho amor próprio sim! Eu me amo, me acho linda, estou até de bem com a balança agora!'...
Quem aqui está falando em beleza, meu Deus?!
Estamos falando de aceitação - que também é diferente de acomodação. É gostar da própria companhia, é conseguir ficar sozinho sem que esses instantes sejam uma tortura, é entender que somos falhos e que não existe a perfeição.

O que é pior mesmo, é viver em função do outro.
Nos relacionamentos isso é muito comum, sejam eles amorosos ou somente amizade.
Colocamos o outro, por muitas vezes, em primeiro lugar em nossas vidas.
E o engraçado é que a recíproca nem sempre é verdadeira...
Não é deixar de pensar nos outros, mas pensar mais em si.
Não deixe de fazer nada por ninguém, são as suas coisas e se você não as fizer,
talvez ninguém faça por você...

Como diria o mestre Gonzaguinha ' [...] a atitude de recomeçar é todo dia toda hora. É se respeitar na sua força e fé e se olhar bem fundo até o dedão do pé!'




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